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Liquimix - por Érika de Moraes


Brasil

Brasil!!!!!!!!!!

 

 

Da Folha de São Paulo (09 de abril de 2009):

 

Senadores gastam média de R$ 6.000 mensais em celular

Conta da Casa em 2008 foi de R$ 8,6 mi; congressistas não têm limite de uso

 

O Senado gastou R$ 8,6 milhões com pagamento de contas de telefones celulares no ano passado, de acordo com dados do Siga Brasil (sistema de acompanhamento dos gastos de orçamento da Casa). Em média, o gasto por congressista foi de ao menos R$ 6.126 mensais, numa conta conservadora.

(...)

A Folha consultou as operadoras TIM e Vivo, que prestam serviço ao Senado, para saber quanto um cliente pessoa física pode falar ao celular gastando R$ 6.000 por mês. Pelo melhor plano, é possível usar o aparelho por 11 horas diárias por 30 dias em ligações no Distrito Federal. Naturalmente, o volume é apenas para fins de comparação, já que não faria sentido um senador só fazer ligações locais.”

 

Etc. Etc.

 

Quanto você, leitor, pode gastar por mês com seu celular? Quantos brasileiros dispõem de R$ 6.000,00 reais mensais para gastar com TUDO de que precisam (saúde, educação, alimentação, transporte, sonhos... será que sobra para os sonhos?)?

Eu uso celular pré-pago. Até poderia usar um pós-pago e continuaria atenta a meus gastos, já que sou uma pessoa responsável e sei muito bem de onde vem o dinheiro que gasto (do meu trabalho). Só que os R$ 6.000,00 mensais gastos por estes senhores com celular também vêm do MEU trabalho (do meu e do seu, leitor, que já temos nossos impostos retidos na fonte). Para que economizar com celular quando a conta é paga pelo Estado (entenda-se POVO), não é mesmo? Simples assim: o cargo oferece um salário de R$ 16.500,00 livres (mais “auxílios” e mais até R$ 15.000 de verba extra). Celular, transporte, viagens, etc. são pagos pelo “Estado”, já que, oras, eles usam o dinheiro para trabalhar por nós! Do nosso dinheiro, uma parte vai para os altos salários de políticos e seus assessores, outra parte vai para os mensalões e mensalinhos. Com o que sobra, tenta-se fazer algo pela saúde, educação, etc. Como sobra pouco, os serviços que deveriam ser dignamente prestados à população deixam a desejar (para usar uma expressão bem leve e não levar esse texto para o tom que o tema é capaz de suscitar). Como tais serviços “deixam a desejar”, quem pode (ou dá um jeito) paga à iniciativa privada pelos serviços que deveriam fazer parte do pacote de impostos.

Poderia indagar: como fazer para que nossos governantes entendam que o dinheiro que gastam não é deles, mas nosso? Mas a pergunta já traz a resposta: justamente porque a fonte é externa que não se mensura, gasta-se à vontade, como se a fonte fosse inesgotável. A lógica é: “não sairá do meu salário, logo posso gastar à vontade”. “Se vou pagar a conta, um cafezinho com pão de queijo está ótimo; se a conta é terceirizada, vou de lagosta”.

Oh, dirão: estas ligações são para negociações importantes para nosso país. E blá, blá, blá.

A vantagem de viver num país democrático é que ao menos posso expressar minha humilde indignação neste blog. Mas sou realmente livre? Gosto mais de escrever sobre filmes e outras coisas bonitas. Porém, na “democracia” em que vivemos, nem a inspiração é tão livre.

Pobre de quem morreu durante a ditadura por ESTE país. Ditadura, e não “ditabranda”. Veja bem, ninguém é perfeito: a Folha erra com o uso de uma expressão como “ditabranda”, mas cumpre seu papel ao escancarar para a sociedade os gastos de nossos governantes.

Só viveremos numa democracia verdadeira se, algum dia, governantes entenderem que nos representam para nos servir, e não para nos sugar. Algum dia?



Escrito por Érika de Moraes às 17h57
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